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Cresce adesão ao pacto contra exploração sexual infantil, e para incentivar os empresários a apoiarem a iniciativa, o Sistema FIRJAN realizou, em 17 de maio, a oficina de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, em sua sede, no Centro do Rio. Na ocasião, novas empresas aderiram ao compromisso.O evento, que fez parte da reunião do Conselho Empresarial de Responsabilidade Social, contou com a presença da ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário Nunes, além de especialistas e das representantes da Ronda Segurança Medicina e Meio Ambiente Ltda e a da Akzo Nobel / Internacional Tintas e outras empresas engajadas
Na abertura, o vice-presidente do Conselho de Responsabilidade Social da FIRJAN, José Pinto Monteiro, afirmou que não se pode pensar em desenvolvimento sustentável no país sem que todas as esferas da sociedade tenham o claro compromisso com o direito dos jovens: “O primeiro passo para o estabelecimento desses direitos foi dado em agosto de 2010, quando várias empresas e organizações assinaram a declaração de compromisso corporativo no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. Agora, cabe aos signatários o cumprimento de todos os princípios acordados na declaração, além de sua prevenção e difusão. É o papel no qual estamos empenhados”, afirmou.
A ministra Maria do Rosário Nunes elogiou a adesão de vários setores empresariais e lembrou que, ao longo dos anos, a exploração sexual de crianças e adolescentes foi se constituindo numa teia: “A teia é difícil de ser rompida, funciona como uma armadilha para que elas não consigam sair sem que, de fora para dentro, essas relações de poder e violência sejam rompidas. É importante que o setor empresarial possa, junto com a sociedade, dizer um basta à violência e à exploração sexual, e isto perpassa pelo rompimento da teia pelos setores empresariais.
Estamos aprendendo como isso é importante como compromisso social, porque estamos no âmbito da responsabilidade social que o Sistema FIRJAN tem”, disse. Segundo Ana Cristina Nascimento, assessora de Responsabilidade Social do Sistema FIRJAN, desde agosto de 2010, 41 empresas aderiram ao compromisso.
Durante o evento, assinaram a declaração de compromisso corporativo no enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes quatro representantes do setor hoteleiro: Ricardo Domingues, diretor executivo da Resorts Brasil; Felipe Boni, gerente de Comunicação Corporativa e Desenvolvimento Sustentável da Accor; Roberto Rotter, presidente do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil; e Tomas Pombo, representando a Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (FNHRBS).
Desde agosto de 2010, 41 empresas, de diversos setores, aderiram ao compromisso
Fonte : CARTA DA INDÚSTRIA - SISTEMA FIRJAN
Ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário Nunes participou, dia 17 de maio, na sede do Sistema FIRJAN, da Oficina de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, com a presença de especialistas e das representantes das empresas Ronda Segurança Medicina e Meio Ambiente Ltda e a da Akzo Nobel / Internacional Tintas, assim como outras empresas signatárias. Para ela, a prevenção é o melhor caminho para o enfrentamento do problema da violência sexual contra crianças e jovens no país.
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Proteção a crianças e adolescentes
CARTA DA INDÚSTRIA – Como as empresas podem contribuir para o enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes?
MARIA DO ROSÁRIO NUNES – As empresas podem contribuir muito rompendo as teias que existem. Quando grandes redes hoteleiras, por exemplo, dizem não à exploração sexual, elas estarão mais atentas à hospedagem de crianças e à situação de menores desacompanhados nos entornos de hotéis. Isso já é uma grande contribuição. E o alerta que as empresas podem fazer amplia o alcance da mensagem e faz com que mais pessoas se mobilizem. Portanto, potencializa toda uma ação que não deve ser desenvolvida apenas pelo governo, mas chegar diretamente à população por uma rede de empresas conscientes e com o compromisso de enfrentamento da exploração sexual. CI – Como a senhora avalia o trabalho realizado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República a partir do ‘Disque 100’, que recebe denúncias de negligência, violência física e abuso sexual? MRN – No âmbito nacional, a nossa meta é a de o 'Disque 100' não receba apenas denúncias, mas encaminhe a criança para uma proteção efetiva. Queremos fazer isso dotando os conselhos tutelares de todo o Brasil de uma relação direta com o serviço. Hoje 98% dos municípios brasileiros já têm conselhos tutelares e a nossa responsabilidade é a de dar condições a eles para que, no futuro, funcionem adequadamente do ponto de vista dos recursos humanos. Os conselhos devem sempre atuar na proteção da criança, eles têm poder para proteger o menor de imediato. Mas não se pode operar sozinho o desmonte de uma rede de exploração sexual, que é uma rede armada e perigosa, daí a necessidade de uma atuação conjunta com as polícias.
CI – A prevenção é realmente o melhor caminho para o enfrentamento da exploração sexual ?
MRN – A prevenção é o melhor caminho, porque é muito sofrido conseguir resgatar as meninas ou os meninos que entram nas redes de exploração sexual.É muita dor na vida deles, nós não sabemos ao certo se existe uma possibilidade de resgate psicológico de fato dessas crianças e adolescentes dada à situação de violência a que elas estão submetidas. Em geral, ficam em cárcere privado. Sabemos de casos de crianças que morrem no Norte do País por situação de exaustão sexual. Não estamos falando de algo fácil de ser superado e essas redes são muito poderosas.
CI – A adesão de empresas neste enfrentamento, como é o caso do Sistema FIRJAN, é um exemplo positivo?
MRN – Sim, porque se nós realmente trabalharmos com diferentes linguagens e públicos, vamos criar uma consciência ética de proteção, e isso está faltando para o Brasil hoje em relação às crianças. A assinatura de um pacto prevê medidas concretas, responsabilidades concretas, e isso as empresas estão dispostas a realizar.
ENTREVISTA 26 de maio a 1 de junho | CARTA DA INDÚSTRIA |