Benefícios dos programas de prevenção das LER e DORT
Escrito por Tatiana Moraes Araujo   
Qui, 20 de Janeiro de 2011 00:00
Imagem da campanha LER - DORT

Nos últimos 20 anos, o mundo tem assistido ao progressivo crescimento das Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT), uma síndrome polêmica de dimensões sociais e econômicas, refletida na incapacidade do trabalhador para exercer suas atividades e o sofrimento decorrente disso, bem como a geração de custos significativos para as organizações e o Estado.

As causas das LER/DORT são apontadas por diversos pesquisadores como um conjunto de fatores físicos e organizacionais do trabalho que, combinados, possibilitam o surgimento da síndrome. Dentre esses fatores, são citados: posturas inadequadas, natureza e repetitividade de movimentos e aplicação de forças, que podem influenciar diretamente no sistema músculo-esquelético do trabalhador. Os fatores causais indiretos relacionam-se ao conteúdo das atividades e à qualidade da comunicação, períodos prolongados de trabalho, ausência de pausas, não rotatividade de tarefas e fatores psicológicos, tais como o estresse, pressão pela produção e o relacionamento entre chefias e funcionários (Maciel, 1998; Codo,1998; Ranney, 2000).

A ergonomia tem desempenhado um papel central na prevenção dessas afecções, pois permite a análise e avaliação das condições e ambientes de trabalho e; administrar pausas, rodízios e mudanças no conteúdo das atividades reduz a freqüência das doenças e custos financeiros.

Programas de ginástica laboral têm sido implementados com freqüência nas empresas como um método de prevenção das LER/DORT.

Benefícios para as empresas:

Redução do índice de absenteísmo, maior proteção legal, aumento dos lucros, diminuição dos acidentes de trabalho, prevenção de doenças profissionais, reflexão na capacidade de produção / produtividade, integração dos trabalhadores, baixo custo de implantação do programa, funcionamento da ação como política de RH, acompanhamento do médico da empresa, reduzir acidentes de trabalho e/ou afastamento do trabalhador da empresa.

Benefícios para o trabalhador:

Fisiológicos: Prevenir a DORT/LER, prevenir lesões diminuir tensões generalizadas e Relaxar, amenizar fadiga muscular e emocional, prevenir o estresse, melhorar a postura, melhorar a condição do estado de saúde geral.

Psicológicos: Reforçar a auto-estima, aumento da capacidade de concentração no ambiente de trabalho, conquista do momento destinado a ele, valorização do funcionário (homem / profissional).

Sociais: Melhorar o relacionamento interpessoal, melhorar a comunicação interna, participação ativa nas palestras debates e dinâmica de grupo

Conclusão:

A ginástica laboral proporciona benefícios tanto para o trabalhador quanto para a empresa. Além de prevenir a LER/DORT, ela tem apresentado resultados mais rápidos e diretos com a melhora do relacionamento interpessoal e o alívio das dores corporais. Evidencias têm demonstrado que a ginástica laboral, em média, após três meses a um ano de sua implantação em uma empresa, tem apresentado benefícios tais como: diminuição dos casos de LER/DORT, menores custos com assistência medica, alívio das dores corporais, diminuição das faltas, mudança de estilo de vida e, o que mais interessa para as empresas, o aumento da produtividade. Neste sentido, “apenas um aspecto, quando tratado isoladamente, não surtirá o efeito necessário. Mas sim, um conjunto de melhorias deve ser adotado, como por exemplo, modificação do processo de trabalho, instituição de revezamentos ou rodízios, realização de análises ergonômicas dos postos de trabalho e adequação dos instrumentos ou equipamentos de trabalho”.Entretanto, é interessante notar que a ginástica, por si só, não terá resultados significativos se não houver uma elaborada política de benefícios sociais, além de estudos ergonômicos, da colaboração dos gerentes, técnicos de segurança do trabalho, fisioterapia ocupacional, dos médicos ocupacionais e dos profissionais de recursos humanos.

Informações gerais :

Distinção entre Ginástica Laboral e atividade Física

É importante fazer essa distinção, pois as duas práticas têm objetivos diversos e diferem significativamente nos meios e instrumentos que utilizam. Os programas de atividade física consistem em incentivos à prática de esportes ou atividades que levem a um maior dispêndio energético e movimentação da musculatura fora dos locais de trabalho. A ginástica laboral tem por objetivo principal a prevenção de doenças ocupacionais, é realizada nos locais de trabalho, três vezes por semana, ou diariamente, por períodos que variam de 8 a 12 minutos, durante a jornada de trabalho.

Tipos de programa de ginástica Laboral (GL)

Imagem doutora

Preparatória ou de Aquecimento: realizada no início da jornada de trabalho, ela ativa fisiologicamente o organismo, prepara para o trabalho físico e melhora o nível de concentração e disposição, elevando a temperatura do corpo, oxigenando os tecidos e aumentando a freqüência cardíaca. Tem a duração aproximada de 10 a 12 minutos. Inclui exercícios de coordenação, equilíbrio, concentração, flexibilidade e resistência muscular.

Compensatória: com duração de 5 a 10 minutos durante a jornada de trabalho, sua principal finalidade é compensar todo e qualquer tipo de tensão muscular adquirido pelo uso excessivo ou inadequado das estruturas musculoligamentares. Tem o objetivo de melhorar a circulação com a retirada de resíduos metabólicos, modificar a postura no trabalho, reabastecer os depósitos de glicogênio e prevenir a fadiga muscular. São sugeridos exercícios de alongamento e flexibilidade, respiratórios e posturais.

Relaxamento: realizada no final da jornada de trabalho durante 10 ou 12 minutos, tem como objetivo a redução do estresse, alívio das tensões, redução dos índices de desavenças no trabalho e em casa, com conseqüente melhora da função social. São realizadas automassagens, exercícios respiratórios, exercícios de alongamento e flexibilidade e meditação.

A GL pode também ser classificada quanto ao seu objetivo:

Ginástica Corretiva ou Postural: relacionada com o equilíbrio dos músculos agonistas/antagonistas, isto é, alongamento dos músculos mais sobrecarregados e fortalecimento dos músculos em desuso ou em pouco uso. Sua execução pode durar entre 10 e 12 minutos, todos os dias ou três vezes por semana.

Ginástica de Compensação: tem o objetivo de evitar vícios posturais e o aparecimento da fadiga, principalmente por posturas extremas, estáticas ou unilaterais. Podem ser realizados movimentos simétricos de alongamento dentro do próprio setor ou ambiente de trabalho entre 5 a 10 minutos. Existem ainda outras modalidades que se aproximam mais de um real programa de condicionamento físico, como por exemplo:

Ginástica Terapêutica: tem como objetivo o tratamento de distúrbios, patologias ou alterações posturais com grupos de funcionários avaliados previamente e separados por queixas. Tal modalidade é decorrente de um diagnóstico médico, em razão da objetividade do tratamento.

É realizada em um local apropriado e não no local de trabalho. Sua duração pode chegar a 30 minutos.

Ginástica de Manutenção ou Conservação: é um programa de continuidade após obtenção do equilíbrio muscular alcançado pelas técnicas corretiva ou terapêutica citadas. Pode evoluir para um programa de condicionamento físico aeróbico associado a reforço muscular e alongamentos. Nesse caso é necessário que a empresa disponha de sala especial para o treinamento para que o funcionário possa utilizar seus horários de folga com duração de 45 a 90 minutos.

Os três primeiros tipos descritos, cuja combinação denominamos aqui de GL, são os mais utilizados nas empresas e mais propagandeados em panfletos e através da Internet. As propagandas prometem vários benefícios tanto para as empresas quanto para os funcionários.

Resultados positivos de programas de ginástica laboral segundo autores

Fonte / Empresas

Alves e Vale (1999)

Faber-Castell - houve diminuição nos casos de LER.

NEC do Alves Brasil - diminuição de 40% do volume de queixas de dores no corpo.

Siemens - redução de 60% de reclamações de dores corporais.

Atlas Copco Brasil - diminuição de 20% no número de acidentes de trabalho.

Pavan e Michels,apud Mendes e Leite(2004)

Em duas empresas alimentícias do Sul do país, houve aumento da produção em 27% (passou de 30 para 38 frangos por minuto). Após doze semanas da implantação da Ginástica Laboral, houve uma diminuição de 40% dos acidentes do trabalho.

Oliveira (2006) - Revista “Isto É ”

Xerox do Brasil - aumento da produtividade em até 39%.

Revista Economia e Negócio (2001)

Embraco - queda no número de casos confirmados de LER de 46, em 1997, para cinco, em 1999.

Guerra (1995)

Cimentos Votarantin (Rio Branco) - aumento de produtividade: o carregamento aumentou de 12 mil para 14 mil sacos.

Ferreira (1998)

Cecrisa - em um ano de implantação do programa, constatou-se um aumento em torno de 17% na produtividade e uma diminuição das ausências e de afastamentos em torno de 70%.

Martins e Duarte(2001)

Dona-Albarus(Gravataí-RS)- após três meses de Ginástica Laboral, houve uma diminuição de 46% dos acidentes ocorridos e de 54% da procura ambulatorial-traumatoortopédica.

Eletrônica-Selenium - em seis meses de Ginástica Laboral, o índice de abstenção ao trabalho decresceu 86,67%, as dores corporais, 64 % e 100% dos trabalhadores afirmaram estar mais dispostos a realizar suas tarefas.

Uma pesquisa desenvolvida por Claudia Luchese, no Banrisul “Banco do Estado do Rio Grande do Sul” e a Petroquímica Triungo. No Banrisul empresa com 8.450 colaboradores, as atividades são realizadas durante a jornada de trabalho. Participam do programa, 232 agencias. No período 2003 a 2006 registrou-se uma redução de 44% dos novos casos de LER/DORT após a implantação da Ginástica Laboral. (Revista Confef,2007).

Autora da Coluna

Tatiana Moraes Araújo é fisioterapeuta formada pela faculdade IBMR no Rio de Janeiro e especialista em RPG, fazendo parte da Sociedade Brasileira de RPG. Trabalha na Clínica Fisioterapia Camoi em Campo Grande e atendimento domiciliar.

Referências:

Associação Brasileira de Ergonomia (2004). Definição internacional de ergonomia. Internet:
www.abergo.org.br Acesso em 02/2004.
Addley, K., McQuillan, P & Ruddley, M. (2001). Creating healthy workplaces in Northern Ireland: evaluation of a life style and physical activity assessment programme. Occupational Medicine.
Belfort, A. (2003, 20 de julho). Ginástica laboral traz benefícios à produção. Jornal do Commércio de Pernambuco. Internet: www.jc.uol.com.br Acesso em 02/2004.
Cañete, I. (1996). Humanização: desafio da empresa moderna – a ginástica laboral como um novo caminho. Porto Alegre: Foco.
Cenpre (2004). Ginástica laboral. Internet: www.cenpre.com.br/cont_ginastica.html Acesso em 10/2004.
Center for Disease Control and Prevention
www.healthypeople.gov Acesso em 04/2004.
Centro Norte Clínica de Dor Crônica, Ortopedia e Reabilitação (2004). Ginástica laboral. Internet:

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